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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

O homem sem rosto.

-Bom dia. - Ela colocou o café da manhã no seu colo: torradas, suco de laranja e bolo.

- Obrigado, amor. - Ele sorriu enquanto a beijava calmamente.

Um rumor foi colocado pela imprensa e na boca dos políticos. Um homem na inteligência brasileira começou a caçar os principais esquemas de corrupção, um por um. Ninguém teve chance, as lendas contam que ele é inflexível e provavelmente o melhor planejador desse século. Drogas, corrupção, tráfico de mulheres, tudo começou a decair lentamente no país. Vários homens estavam desesperados, como poderiam sobreviver sem acabar com a vida de outros. Havia algo de assustador em lutar contra um homem sem identidade, e que ninguém nunca tivesse visto. Na própria inteligência, nenhum agente sabia quem era o seu chefe.

- Ele vai morrer, o veneno vai fazer efeito em pouco tempo. - Ela falou quase sussurrando no celular.
-Ele não tinha mais informações, era um pobre sem ninguém. - Um homem com a voz firme respondeu do outro lado da linha.

- Uma pena, ele era…

Reino do nada.

No seu castelo de ar morava o rei do nada. Não tinha paredes aquele castelo, não tinha telhado, mas assim transparente era belo e delicado como nenhum outro. E porque o rei nada possuía, nem mesmo um mínimo pedacinho de terra, a qualquer sopro de vento lá se ia o castelo com toda a sua corte, etérea arquitetura, flutuando no azul. Pousava quando amainasse o vento. Ora era visto num pico escarpado ora surgia à beira do mar ou assentava-se na planície. Nada o prendia a lugar algum e o mundo inteiro era seu reino. Agora, depois de uma tempestade que o sacudira, levando-o por cima das montanhas, repousava o castelo entre as flores de um vale.
Damas saíam a passear colorindo os gramados com seus longos trajes leves como suspiros. Cavaleiros disputavam torneios de imaginação, enquanto as crianças da corte inventavam jogos com maças recém colhidas dos galhos. Já muitos dias desse viver gentil se haviam passado.

Não longe do vale, porém, exercia seu poder um rei temível. Raiz era chamado. E ao…

Presente.

Entreguei o presente entrelaçado num laço azul, sem propósito que escondia o que ele realmente queria dizer: amor, quase amor, nunca alcançado amor. Gritava nas quinas do retângulo, aves de papel, recheadas de filmes italianos, que choravam a pobre tristeza, não se ter o que quer, para que tamanho drama? Para que tamanha briga? Não vivemos numa novela mexicana, onde o enredo se encaixa para que o grito e espanto cheguem ao espectador. O problema é que o grito e o espanto vivem no coração do espectador não visto, da palavra não dita, do corredor vazio. Não me alongarei na tristeza, essa já tem seu lugar reservado na parte de mim que concerne a você. Alongar-me-ei em tirar felicidade do que não deu certo, do que vai ser, ou pode ser. O que seria de um autor sem desespero, de um poeta sem dor, a criação se cria no levantar do herói do enredo, mesmo que o enredo e o herói sejam fictícios, e nós feitos de sangue e ossos.

Delírio Bêbado.

Eu sinto muita falta sua, sabe como a lua sente falta das estrelas que vivem com ela. Eu fico triste de pensar em tudo que poderia ter sido. Imagina só, eu entrando no seu coração e tomando forma na sua vida. Agora não somos nadas, somos só uma sombra de estrelas brilhando num computador sem sentido. Eu me lembro de quando você me convenceu a cair naquela piscina quando a noite já quebrava, eu me lembro de como eu estava sorrindo quando te olhei. Você estava linda. Na minha memória, você era beleza. Você era amor. Porque você teve que ir embora? Eu não entendo.

Eu não vou concordar, nunca como disse meu bom amigo eu nunca vou concordar com as pessoas que quebram laços antes deles se formarem, que quebram amores antes de nascerem. Do que vocês têm medo? De sofrer? Vivemos num lugar onde só o amor faz sentido, do que estamos correndo? Eu fui ao seu encontro, mas você correu mais rápido do que pude alcançar, e agora estou aqui bêbado dizendo que não sei mais viver sem ter ela, Cartola. Eu…

Casa.

Existe um sentimento de quando você está com alguém, que faz com que tudo pareça menor. A sensação de que você está em casa com a sua família. Seus avôs que estão casados há 40 anos fizeram o jantar, tem todos os seus pratos favoritos. Os parentes chatos não conseguiram aparecer, e você ganha um sentimento de paz. Parece o lugar certo, você não precisaria fugir para qualquer outro lugar, você pertence a aquela cadeira de madeira perto de um copo de cerveja. Você escuta amor em algum lugar, como se você fizesse parte de uma base humana que construiu impérios e destruiu os mesmos sem pensar duas vezes. Algo que fosse maior do que você mesmo, mas estivesse dentro da sua própria fibra de ser. Ela olhou sorrindo para você, e por um momento você está nesse lugar, você percebe que você está em casa. E talvez você nunca tenha como partir.

O final de um texto perdido.

Agora eu posso terminar esse texto. A verdade é que não posso mais acreditar, não como enxergo as coisas no mundo de fora. Como o pequeno garoto que foi criado numa imensa biblioteca, e passou sua infância lendo sobre dragões, cavaleiros e histórias. No dia que ele saiu, e quebrou daquela biblioteca, ele ficou assustado. O mundo não era como os padrões dos livros, não era como sua infância escondida no recanto contra tudo. Ele entrou em desespero, não sabia o que fazer, e acabou criando a maneira existencial de se perguntar, ficou famoso, se apaixonou, mas sem nunca esquecer. Ele não poderia. Que existir precede qualquer essência. Assim como ele, eu desejei enxergar o bem, e enxergar algo das situações o que ficava, algo que podia ser guardado no coração por mais do que um instante, talvez eu estivesse buscando o que o transitório não roubasse, lembra quando eu te disse isso? E você me beijou sabendo da minha empreitada sem chance.
Eu olhava o céu quando estava do seu lado, e me pergu…