O final de um texto perdido.

Agora eu posso terminar esse texto. A verdade é que não posso mais acreditar, não como enxergo as coisas no mundo de fora. Como o pequeno garoto que foi criado numa imensa biblioteca, e passou sua infância lendo sobre dragões, cavaleiros e histórias. No dia que ele saiu, e quebrou daquela biblioteca, ele ficou assustado. O mundo não era como os padrões dos livros, não era como sua infância escondida no recanto contra tudo. Ele entrou em desespero, não sabia o que fazer, e acabou criando a maneira existencial de se perguntar, ficou famoso, se apaixonou, mas sem nunca esquecer. Ele não poderia. Que existir precede qualquer essência. Assim como ele, eu desejei enxergar o bem, e enxergar algo das situações o que ficava, algo que podia ser guardado no coração por mais do que um instante, talvez eu estivesse buscando o que o transitório não roubasse, lembra quando eu te disse isso? E você me beijou sabendo da minha empreitada sem chance.

Eu olhava o céu quando estava do seu lado, e me perguntava se poderíamos dizer que cada estrela era uma alma, que cada pessoa tinha sido separada pelos deuses por insolência em dois, e no céu de uma noite com estrelas pudéssemos ver os dois se encontrando. Eu vi isso desde a minha infância, duas pessoas que encontraram o que estava buscando, que ganharam do transitório, dessa mania moderna de transformar as coisas em mercadores. Os relacionamentos muitas vezes parecem uma fila do macdonals, onde esperamos o próximo pedido para podermos ir embora, e repetimos o processo mais vezes. Eu olhei para o céu, enquanto você estava do meu lado, e te contei que eu esperava que meus avôs estivessem juntos, que cada estrela fosse uma alma, que a explicação física não estivesse certa e sim o potencial nas pessoas. Eu pedi que você ficasse mais tempo do meu lado. Você não escutou, você nunca escutava, vivemos num mundo de surdos. Se eles estivessem juntos de verdade seria uma ótima idéia. Cinqüenta e cinco anos na terra, alguns milhões nas estrelas. Eu prefiro não dizer nada sobre a vida depois da morte, nem digo sobre o amor mais. Eu não acredito mais em finais classicamente felizes onde tudo se arruma num passe de mágica e as pessoas simplesmente se amam e percebem tudo que pode estar dentro dessa palavra, eu acredito em pessoas se esforçando, e vou sempre acreditar nisso. Eu não digo mais nada sobre o amor, mas a idéia sobre almas planando no céu depois de uma vida correndo uma das outras, é uma esperança, que assim como qualquer outro mal ainda resiste no peito. Como você acha que eu me sinto?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Charles Bukowski.

Astronauta

A triste e curta vida de Ernesto