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Mostrando postagens de Março, 2014

Devandra

Ele está sorrindo, sem jeito, incomodado com uma reação previsível. Ela parece estar sem palavras, seu dicionário tinha sido esvaziado pelo pedido incomum. Quando ele disse a palavra, ela pareceu estremecer. Lembrou -se dos seus pais e quis chorar, dizer que as regras haviam sido invertidas, e que ele não sabia do que estava falando. As pessoas, de forma geral, não entendem que o fracasso existe, consome, mata e reduz. Cada pedido é um fracasso prestes a nascer. Era isso que ela queria dizer, mas ele ainda sorria. 
Sua casa reproduzia seu descaso. Seus móveis se reduziam a poucas almofadas esparramadas pelo chão, e vários instrumentos organizados em ordem de tamanho. Seu violão ficava no seu colo, tocando uma doce melodia, suas palavras pareciam pura poesia, sem cortes. Sua roupa era uma jaqueta de couro desgarrada, e uma calça longa demais para o seu corpo. Ela se vestia bem, e imaginava como aquele apartamento poderia ser alterado. Primeiro, imaginou uma limpeza, tinta nova, cores vi…