Teresa.

Começa seus dias se perguntando sobre o que é o amor. Ela pensou que com dezessete anos teria todas as respostas. João seria o homem dos seus sonhos. Desde pequena ou, melhor, desde a morte de seu pai, ela nunca havia sido a mesma. Seu pai era uma imagem mitológica da sua imaginação. O grande homem que se corta com facas na cozinha. O homem sozinho e deprimido, que sua mãe sempre traiu. Ela agora morava com os avôs, depois da mudança de sua mãe para outro país. Ela se sentia sozinha. Sua única companhia era o fantasma de seu pai.

Joaquim não compreendia as mãos dadas no começo da manhã. Teresa via a semelhança entre os olhos tristes de Joaquim e de seu pai. Ela sentia no seu coração que ele estava perdido. Dando as mãos, ela se reconciliava com um pai que nunca conheceu. Ela se reconciliava consigo mesmo. Nunca imaginou que Joaquim pudesse ter qualquer sentimento, ele parecia tão cansado.

Teresa imaginava que João era o homem perfeito. As amigas viviam dizendo rumores sobre ele, mas nada seria verdade. Como alguém tão carinhoso poderia trair sua namorada? Nos filmes americanos, era impossível a traição da moçinha. Era impossível a morte do pai. Era impossível qualquer fuga da perfeição de rostos que não choram.

João dava um tapa silencioso em Joaquim. Teresa escutou a conversa inteira. Não fazia diferença, João era seu amor. Ele tinha que ser sua salvação. Enquanto Joaquim socava João com ferocidade, ela percebia que era seu pai batendo nos amantes da mãe. Era um mundo paralelo dentro do mundo real ou, talvez, o que ela visse fosse o mais próximo que ela fosse chegar dos seus sonhos. De uma morte pacifica para seu pai. Ela levava João para o hospital, Joaquim dormia. Dormia o sonho que poderia ser facilmente o mesmo sonho de Teresa. Juntos, Teresa se reconciliava com o pai, Joaquim dormia e João sorria. A quadrilha estava perfeita, o velho poeta mineiro se encontrava em paz.

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