Joaquim.

Começa o dia sonhando com um sono que nunca vem. Ele está acordado por três dias inteiros. Quatro dias e você começa a ter alucinações. Informação facilmente achada no google assim como: remédios comuns necessários para se matar, como conseguir informações pessoais com somente um nome e como fazer bombas caseiras com materiais mínimos. Viva a liberdade da internet. Ele trabalha como vigia de casas noturnas e observa todo dia as mesmas pessoas repetindo as mesmas pobres ações. Os rostos mudam, mas nunca os acontecimentos. Diálogos vazios regados a álcool. Brigas por motivo idiotas. Ele fica calado, esperando alguém perceber. Perceber que ele está cansado.

No começo da sua manhã, Teresa passa pelo mesmo caminho até a escola. João nunca soube, mas por aquele pequeno caminho, os dois dão as mãos. Eles nunca discutiram, mas fazem isso todos os dias no pequeno intervalo do caminho em que João não está. Joaquim respira fundo, e descansa. Naquele pequeno intervalo de tempo, ele tem o maior sono da sua vida. Ele está próximo de descansar. De dormir. Nunca mais acordar.

Joaquim observa João com a prostituta às segundas. Sonha em matá-lo às terças. Desiste da idéia toda quarta. O problema é que com a repetição infinita das semanas, ele acaba se cansando:

-Eu sei o que você faz.

-O que?

-Você a trai. Como você consegue?

-Fácil, eu vou até a casa dela e faço sexo. Você deveria tentar. Quem sabe você não dorme?- João deu um sorriso enquanto dava um tapa leve na cara de Joaquim. Ele sempre achou que assim conquistaria seu silêncio.

Num momento de impaciência, Joaquim enxergou monstros em todos os lugares. Sua mente divagou e perdeu controle total. Nesse minúsculo intervalo de tempo, João parecia um demônio. Um fantasma. Joaquim levantou seu punho e socou repetidamente. O grito de Teresa interrompeu a violência. Ela chorava. Chorava muito. Joaquim deitou no asfalto e dormiu, enquanto Teresa levava João ao hospital. João ria como nunca havia rido antes.

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