Carta de demissão.

Espero que quando você me derrube, você arranque todo o sangue. Não deixe nenhum ar no meu pulmão. A faca arranque cada força que eu tenho. O soco quebre cada osso que eu tenha. No momento em que eu levantar, nada mais importa. O estridente som da morte chegando. Do ar ficando tonto com o cheiro de sangue. O misto de nojo e medo estampado no rosto de um homem desesperado. A faca que crava na costela flutuante, a falta de coragem de desistir do ataque. Espero que tudo acabe logo, porque o absurdo daquilo não poderia durar. Respirar. Contar até três. Um. Dois. Três. Tudo vai acabar. Não se preocupa. Segura minha mão. Só mais alguns minutos e estará pronto. A energia volta como um relâmpago procedendo o que seria o final de uma era. O ar se perde na direção do pulmão. Respira fundo. Sente o cheiro do sangue mais uma vez. Engole todo o sangue subindo pela sua garganta. Você tem só um segundo antes do mundo acabar. Diga gritando o que você gostaria de fazer antes de acabar sua vida.

Levanto. Vai ser a primeira vez que me levanto. Caiu 20 milhões de vezes, logo devo levantar 30 milhões de vezes. Estão dizendo isso em biscoitos de sorte chineses. Seca os olhos. Seca o sangue saindo do seu pulso. Sai da água que rouba seu ar. Levanta. Não acabou. Não terá mais uma vez. Você perdeu sua chance. Agora cada parte de mim quer vingança. Cada parte de mim quer minha vida de volta. Não, não importa. Não me diga as palavras idiotas deslocadas de um livro estúpido de um homem que acha que todos somos felizes. Todos sorriem para a foto. Sem dúvida. Um sorriso enorme e grande, antes que seus dentes caiam quebrados com o sangue no meio-fio da rua. Mais um momento, respire fundo. Conte até dez. O sol estuprou a terra mais uma vez, e você vive sobre a obrigação de levantar no caos de uma deusa da terra que já está prestes a morrer. Você pede para não ser humano. Só mais uma vez. Um deus que levanta depois de morto. Por favor. Um deus grego do sol com seus cavalos acordados na alvorada. Qualquer coisa. Isso não está acabado. Nunca vai estar. O circulo que em loop infinito vive a despeito do céu da noite que toma conta do sangue do seu corpo.

Obrigado,

Tyler.

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