Estóicos.

Criamos uma imagem do que queremos que seja humano. Invadimos o outro com portas se quebrando, porque precisamos que o outro seja nosso humano; que ele seja um espelho do que nós somos. Narciso só via no espelho aquilo que queria ver. Inventamos ordem inteiras com a ridícula desculpa que o outro tem que ser nosso humano. Nosso maldito símbolo de estabilidade é esperar que todos sejam como um; que eles respirem o ar de várias vidas seguindo nossa respiração. Nós somos absurdos de querer categorizar todos e colocar crachás tão bonitos, porque fomos nós mesmo que fizemos. Aquilo que sai da nossa mão é o mais bonito, o que está na mão do outro só pode ser horrível e assustador. Nossa incapacidade de compreensão beira aos radicais que quebram a cabeça de outros porque não são eles mesmos. Quando na verdade, o que você deveria perseguir é você. Sua vergonha de ser o que quer que você seja, de se questionar sobre seus absurdos e seus problemas que não tem absolutamente nada com o outro.

Os estóicos e, ainda bem, que existiram os estóicos nos ensinaram que se existe algo superior, esse algo tem que estar em tudo. Que tipo de deus existe se ele nem ao menos está em tudo que somos e tocamos. Uma capacidade de compreensão que beira a loucura que coloca os cidadãos na muralha em proteção. Não existe violência nesse lugar, o que existe é a paz de um lugar que todos nós compartilhamos, mas nunca poderemos nem ao menos vislumbrar. A nossa ética é controlar nossas paixões segundo o equilíbrio, porque isso é devido para as pessoas ao nosso redor. É exigido muito, porque o que se pede é o mundo inteiro. Aristóteles se irritava com Platão, porque seu principio de razão não estava no seu peito. Nietzsche chamava Platão de cabeçudo, porque ele não entendia que o pensamento estava na sua pele. Até quando seremos capazes de criar imagens irreais que fujam do nosso corpo. Até quando formaremos relações com coisas que nunca poderemos tocar, nem saber se existem. Acredito que como última esperança temos somente a nossa loucura para nos salvar. O homem que se questiona é que o homem que um dia vai compreender que não compreende. Ele vai perceber que a humanidade não é perfeita. Sua imagem de humanidade não é nada, se ele não puder viver em si aquilo que professa aos quatros ventos. Nossa última esperança.

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