Carta desesperada 2.

Cara Beatriz,

A noção de que nos temos qualquer proximidade me é assustadora. Primeiro porque nunca nos vemos, nem fazemos parte da realidade próxima de nenhum de nós dois. Não nos vemos há meses. O que fazemos aqui é uma mera farsa bem orquestrada pelos meios sociais de criar uma imagem de conversa de algo que já foi importante para mim. As quase saídas são partes disso, porque elas representam a possibilidade de saída que nunca se cumpre, permanecendo assim numa quase proximidade fantasma. É tão notável esse fato que a falta de visão e contato do dia-a-dia deixa marcado uma ilusão do que pode ter sido um dia uma proximidade gostosa. Não que eu fale isso com um sintoma de raiva, é uma pura tranquilidade de tentar reconhecer os consensos sociais pelos quais operamos. De uma forma mais intima, minha negação dessa proximidade ilusória e a afirmação de uma distância existente é para resguardar o que um dia para mim era uma bela relação entre pessoas que se entendiam de uma forma segura dos consensos desse mundo.

Atenciosamente,

Seu eterno calculador de custos filosóficos,

Aureliano.

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