Carta desesperada.

Cara senhorita,

Se eu pudesse lhe dizer desculpas, será que você me daria o tempo necessário. Se por um segundo, você me levasse a sério, será que tudo voltaria a fazer sentido¿ Ele andava num lugar que não era dele. Ele pensava que tinha criado um castelo de cartas depois do outro, onde somente sua imaginação causava o inferno na sua cabeça; eu era só imaginação você me dizia. Eu fui até sua porta e falei que te queria de volta, que eu queria aqueles meses de volta; não me diga que era imaginação, minha carne e meu sangue estavam gritando no frio da noite. Você escutou, e ele também. Meu problema sempre foi que existem pessoas demais nesse mundo de caos. Será que eu sempre vou ser o último da fila do pão; o último a ser escolhido num jogo sem vencedores ¿

Você me diz que minha mente é louca, que já não faz mais sentido falar de amor. Que o que existe é o prazer, e ele é de momento. Diz-me que eu já fui aquele que você esperava ligar, mas nunca mais. Meu deus, como as palavras viram nada em face de mentiras que não existem. Por favor, me escute ao menos uma vez, é meu sangue fervendo nessa pobre corpo com frio que implora por uma vida. Eu quero respirar, não me diga que é mentira que eu não tenho direito a esse ar que me cerca. Ele é meu. Ele é do indefinido momento que existe entre minha alma e o nada que me invade. Dizem que a morte é como um ar; pois é assim que eu a sinto preso entre meu pulmão esquerdo e o direito; um ar indistinto preso; comendo-me vivo. Quanto tempo eu vou ter que aceitar perder quem já amei; vocês nunca voltam.

Lembro do meu avô e minha avó; o eterno mito daqueles que viveram 100 anos juntos numa casa escondida do mundo no meio da rua. Perto daquele lugar onde o silêncio ainda existe e o caos parece mentira. Ali nasce um problema, como conviver como uma imagem de uma fotografia ideal. Como viver com a imagem de uma fotografia que você quer que seja sua. Como você pode viver se ela falou que não vai existir; sem palavras ela disse que não vai existir na sua vida; esse ar de morte dentro do seu peito te consome, acaba com a sua esperança.

Então sua moça, por favor, volte.

Mostre-me que não é mentira, nem é verdade

É caos do encontro que enche o peito.

Da criança que fala eu te amo.

Abraços,

Seu eterno momentâneo amigo, Gregório

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