Teatro.

A perspectiva empregada neste relato é a da representação teatral. O palco apresenta coisas que são simulações. Presume-se que a vida apresenta coisas reais e, ás vezes, bem ensaiadas. Mais importante, talvez, é o fato de que no palco um ator se apresenta sob a máscara de um personagem para personagens projetados por outros atores.

-São grotescos, mas não tem graça -comentou- Antes de tudo, ofendem.

-Eu não me ofendo. As pessoas ficaram delicadas demais. Acho que todo velho se transforma numa caricatura. É de morrer de rir.

-Ou de tristeza.

-Tristeza? Por quê? Não será o medinho de entrar, você também no desfile?

-Quem sabe você tenha razão.

- No grande desfile de máscaras.

Vidal concordou:

-Cada um vai vestindo aos poucos suas fantasias.

-Que no entanto não lhe cai muito bem- Prosseguiu Jimi, visivelmente estimulado pela colaboração do amigo.- Parece uma fantasia alugada. Sobra tecido. Um espetáculo cômico.

-Horrível, Che. Tudo é humilhação. A gente se resigna a ser deficiente, como os sem-vergonha.

Antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Falei muitas vezes como um palhaço, mas nunca desacreditei da seriedade da platéia que sorria.

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