Flores que não morrem.

Existem certos amores que nunca morrem, e por isso jazem abertos no fundo do peito. São flores que infiltradas nas veias respiram do nosso coração o sangue e ar, por serem assim, e só assim são os que ficam. Porque os que ficam e não os que vão? Porque o ir e vir físico não representa as flores que ficam; essas não se soltam das suas raízes milenares e fincam com força no seu peito causando machucados. Nós dependemos dessas flores que ficam, porque um peito nu não cria sementes: ele não tem capacidade de se espalhar além, tudo que ele pode é ficar em si mesmo, perdido na tristeza e desespero de um ser. Agora os que têm flores fincadas no peito têm armaduras contra a pressão do mundo, e vão além dos muros para entender o outro: porque eles já sabem que a experiência que existiu, foi o que valia a pena, que era o amor, que era dividir o quer que seja que podemos dividir nesse espaço limitado de tempo. Flores no peito nos salvam de nós mesmos.

Flores que ignoram o tempo ou distância, flores que nós mantém sã quando tudo nos diz ao contrário. Flores que são feitas de sangue e gente, e por isso, são intrínsecas a nossa existência. Por isso amar o que fica no nosso peito cravado por flores, porque é isso que nos transforma em humano: nossa capacidade de nos ligar uns com os outros e as lembranças que surgem disso. O tempo é uma medida individual, existem flores que não tem tempo para individuo, que residem eternamente na nossa alma; independentemente se não existem mais em presença física. Talvez até mais importante, porque elas são traços que sobrevivem conosco do que já foi, e tem algumas pessoas que foram embora que nunca deixaram de ser flores enterradas com convicção no nosso viver: acordamos e dormimos pensando nelas. Na vida de um homem, se ele tiver sorte, pode existir uma flor que nunca morre; independentemente do que aconteça; não existe realidade que mate esse sonho. Pois esse sonho é mais realidade que qualquer veneno: nunca se esqueça, que tem flores que não morrem, é o único pedido que faço.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Charles Bukowski.

Astronauta

A triste e curta vida de Ernesto