Monstros.

Alguém acorda, é meia-noite: o som bate a janela enquanto a criança dorme. Passos na escadas, um homem, dois homens, um comboio inteiro de fantasmas. O menino acorda de pijama azul com estrelas, corre seco pelas escadas; não grita, nem chora. Olha ao seu redor, homens de capuz pretos prontos para o ataque, antes do derradeiro momento diz:

- Seria melhor que vocês fossem embora, por favor.

Monstros cercam por detrás dos homens, dizem terrivéis coisas, que a morte do garoto é a única solução, que é isso ou uma vida sem dormir:

- Os pesadelos só vem para quem tem medo.

Os homens ficaram pasmos frente aquela criança. Monstros por detrás dos homens gritavam, em formas de animais monstruosos rugiam, o garoto ignorava sem escutar:

- Eles só existem, porque vocês os deixam existir.

Um monstro se levanta de trás da sombra, tem traços verdes de um urso sanguinário; pará em frente a criança:

- Deixe-me ver dez anos, o teoricamente escolhido que acabará com todos os montros do armário. Não me faça rir, nós existimos desde que esse mundo foi criado por detrás de cada evento importante e cada homem que você admira.

-Não.

- O que significa não?

- Vocês podem manipular, mas não agir, quem age é o homem.

- Mas a nossa mando, e nosso mando exclusivo.

-Não.

- Você pararia de dizer não?

- Dificilmente. Eu to tentando libertar esses homens babacas do seu encanto babaca.

- Para uma criança você tem uma boca e tanto.

-É, quando sua família inteira é caçada, você aprende um truque ou dois.

- Porque você não tem medo? Existem 10 homens encapuzados pronto a te matarem.

- Mas nenhum deles equivale a um homem de verdade.

- O homem de verdade é assim: pérfido, assassino, ambicioso, enfim ele é racional a essa vida de vocês.

-Não.

- Você poderia dizer mais que não?

- Não.- Nesse momento todos os homens de capuzes correram; a presença do garoto conseguia ser mais assustadoras que todos os monstros que os cercavam. A pequena criança de olhos negros, desajeitado, sorria na frente daquela imagem verde.

- Então é isso? Eles correm? Você pode me dizer o porque?

- Lembra de quem te prendeu? O primeiro deles, que expulsou você dele mesmo e te meteu num armário?

- Foi a muito tempo átras, antes de pandora nos soltar.

- Ele me disse que você tem mais medo que todos nós.

De novo aquela presença bizarra por detrás da face da criança, não era inocência, já que seus pais haviam sido mortos, era algo mais: uma resolução. O monstro se descolou da sua realidade paralela e parou na frente do garoto, assustado e chorando, em contrapartida o garoto abriu os braços. Quando os dois perceberam, eles eram um: os montros de armários já não existiam mais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Charles Bukowski.

Astronauta

A triste e curta vida de Ernesto