Dissonante.
Helena, Peço desculpas pelo tom dessa carta. Digo, de passagem, que tocava uma sinfonia de piano, enquanto reinavam maus pensamentos na minha mente. Desde que eu voltei da guerra, sinto-me invadindo cada lugar da sua vida. É como se eu tivesse que ter morrido naquele descampado. Você não consegue me perdoar por estar aqui. Cada parte da minha vida parece que estou atrapalhando um equilíbrio divino do qual ninguém me avisou. Sinto o retumbar do piano aumentando o tempo, desculpe, consigo escutar o acorde; alguma coisa está errada. O dissonante invadindo o movimento descontrolado, enquanto lembro-me da sensação de ser um empecilho. Desde jovem parece que meu papel na vida de todos é ser uma voz descontrolada do tempo. Quando voltei, você me deu um abraço seco. Todos disseram que o tempo longe na guerra havia feito você perder seus sentimentos. Falaram-me dos seus novos amores. Em cada sala que você frequentava, parecia um crime eu me manter ...